BLOG

Quando a crise não é crise

18th novembro , 2017

O medo é um sentimento bastante frequente em tempos considerados difíceis. No sentido amplo, o medo surge como uma forma de prevenção e de autoproteção. Podemos afirmar que o medo é o que nos mantém vivos. Sem medo nos arriscamos mais e, por nos aventurarmos sem medir consequências, podemos nos comprometer, falir, quebrar, arruinar, sucumbir, morrer.

É um elemento natural sentir medo, assim como o de se aventurar para descobrir o novo. A curiosidade e a busca de satisfação são sentimentos inatos, nascemos com eles.

Quando se trata de consumo não poderia ser diferente. Diariamente, passamos por situações onde as “matemáticas” nos vêm a mente e fazemos contas e cálculos, aquilo que muitos chamam de custo x benefício. É nessa hora que “pegamos emprestado” os sentimentos naturais – medo, aventura, curiosidade, prazer – e damos um tratamento cultural. Ou seja, antes da tomada de decisão, instintivamente medimos a taxa de risco, e essa hierarquia de prioridades é de ordem cultural.

O que é mais importante para mim agora? O que eu consigo cortar? Essas são as perguntas que não saem da cabeça de todo chefe de família ou profissional nos dias atuais. Devo investir na carreira com um novo curso? Posso trocar de carro já que as taxas de juros estão melhores? Será que consigo fechar o mês?

O que vejo é uma sociedade que vive com medo da crise, mas não deixa de seguir em frente. Há setores da economia bem aquecidos apesar do momento. E sabe por quê? Porque a resiliência é outro elemento vital que nos motiva a nos adaptar cotidianamente às situações complicadas. Se não dá para viajar para a Europa que seja para o Peru. Se não consigo ir ao cinema, que tal juntar os amigos e assistir a um filme em casa? O que importa é encontrar prazer e satisfação nos amigos e na família, nas formas mais simples de viver e compartilhar momentos em casa, nas ruas, nos parques, nas praias.

Sobreviver à crise é se reinventar. Crise não é sinônimo de dificuldade, é oportunidade para sermos simplesmente criativos.

Data de publicação: 1 de setembro de 2016
Fonte: http://revistavarejosa.com.br/colunistas/hilaine-yaccoub/