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Por que não serviços child-friendly?

18th novembro , 2017

Uma moça solteira, sem filhos, expressa no Facebook sua indignação por ter sido incomodada em um restaurante por crianças “sem educação”. O desabafo virou um problemão, mais uma discussão polarizada que vivemos nas nossas redes sociais. A questão também se tornou tema em debates de rádio e TV: queremos crianças ou não em determinados lugares? Será que pensar assim é um tanto extremista e superficial? E o que mais me incomoda, como estudiosa do comportamento humano, em toda a discussão é: ninguém se coloca no lugar das crianças.

Os que são pais defendem-se como podem: querem a liberdade de frequentar locais públicos e privados. Querem exercer seu direito de ir e vir. Entendido! Os que não são pais citam os vários momentos de incômodo com barulho, choros, situações embaraçosas. Sim, acontece. Cada grupo levanta pontos completamente compreensíveis. Ok, todos nós já fomos crianças; certamente, eu e você, leitor, já fizemos nossos pais passarem por situações embaraçosas em locais públicos ou em shopping e todos nós, sem exceção, já nos sentimos incomodados em determinados momentos quando há uma criança berrando no voo, no restaurante, na sua loja. É uma situação ruim para todo mundo.

Em tempos atuais, pense bem, muitos lojistas já se colocam no lugar do cachorro ao colocar a água na porta do seu estabelecimento, outros sinalizam em suas portas bandeiras do arco-íris (abocanhando com simpatia o mercado gay). Se o comércio se preocupa até com o marido e coloca poltronas em frente ao provador para que as mulheres possam escolher roupas com calma, então por que não, em vários setores de serviços, nos colocarmos no lugar das crianças?

O que elas querem? Do que elas precisam? O que faria diferença para os pais?

Eu acredito em restaurantes que possuam área com piscina de bolinhas e façam tatuagens temporárias. Eu acredito em companhias aéreas que tenham fones mais confortáveis e coloridos para as crianças (já repararam que os atuais machucam até os adultos?). Eu acredito que áreas lúdicas, papel e giz de cera podem resolver muitos conflitos. Eu acredito em locais preparados para receber todos os clientes – e criança também é –, para que cada um possa usufruir daquele momento com tempo, conforto, comida, diversão e cor.

 

Criança é consumidor e um filho feliz faz os pais felizes

Estamos numa economia de nichos. Há espaço para todos, mas o que falta, muitas vezes, é coragem e bom senso para tratar crianças como crianças, como também desenvolver campanhas inclusivas, sem necessariamente serem infantis ou idiotizadas. Lugares para todos, mas com um diferencial para que seus clientes crianças possam ter o tratamento adequado.

Eu não aguento mais essa onda de “adultização” das crianças. Elas merecem serviços para sua necessidade e desejo – isso é negócio, baby. Por isso a Disney World é conhecida como terra da felicidade, inclusiva, para toda a família. Lá, os mais novos são tratados como clientes. Não é hora de aprender com Walt Disney?

 

Temos gay-friendlypet-friendly, por que não child-friendly?

Veja, estou falando de um tipo específico serviço, com profissionais especializados, exercendo um trabalho de nicho incrível e proporcionando para os pequenos mais diversão, emoção, experiência. Um setor que não vê crise e que, além de tudo, trabalha com o campo emocional e nostálgico de futuros adultos. Por que nãogerar mais sorrisos?

 

Fonte: http://revistavarejosa.com.br/colunistas/por-que-nao-servicos-child-friendly/

Data da publicação: 1 de outubro de 2017