ANTROPOLOGIA DO CONSUMO

O que é, pra que serve, pra quem , como usar.

O consumo vai muito além da mera aquisição de bens. É um processo social que nos identifica no mundo através de classificações que estabelecemos através de expressões
de gosto e estilo de vida. Através da cultura material e imaterial podemos avaliar uns aos outros de acordo com nossas escolhas, pois através delas enviamos mensagens.
Por ser uma prática de cultura, a Antropologia é a ciência que melhor se encarrega no aprofundamento dos sentidos do consumo. A pesquisa e a teoria antropológica se unem
em um mergulho no universo dos grupos sociais e indivíduos com o intuito de criar entendimentos sobre as muitas formas de consumo em toda a sua essência e nuances.

A Antropologia do Consumo surge como uma linha de pesquisa por ser um tema rico
a ser investigado e entendido dada a sua complexidade e centralidade na sociedade contemporânea.

O consumo também está ligado a identidade; as pessoas podem ser classificadas pelo que vestem, se é homem ou mulher, seu estilo, a importância de um evento ou uma grife,
a percepção de qualidade etc. As escolhas de produtos e serviços que se consomem trarão identificação dentro do universo social, assim como o consumo de determinado restaurante ou tipo de bebida poderá identificar o status social de classe de algum grupo.

Dessa maneira, o consumo material ou imaterial pode nos dar indícios sobre quem é, como pensa, como se comporta determinado indivíduo e/ou grupo social. O consumo possui uma dimensão fundamental da vida social humana porque sem consumo não há distinção ou inclusão social, não há vida cultural, o seja, o consumo é aquilo que nos define,
nos representa, nos traz conforto e nos seduz.

 

Para que estudar o fenômeno do consumo?

O consumo sacia nossas “necessidades” e media relações sociais, “construindo” identidades, status e fronteiras sociais,
autoconhecimento e formação de nossas expressões pessoais.

No senso comum, ainda é muito forte a noção pejorativa do consumo. Ao se falar de consumo, sempre levamos para as questões morais e econômicas. Mas precisamos entender que o consumo é mais que isso; ele vai além do simples uso, posse e fruição de bens; ele permeia todas as dimensões da nossa vida social. É por meio do consumo que nos identificamos com algo, construímos nossos gostos, estilo de vida e marcamos nossas posições políticas na sociedade.

Ao contrário das pesquisas em marketing e dos economistas, a dimensão simbólica das relações com o objeto é de suma importância para o entendimento antropológico. O consumo deve ser entendido como detentor de significados para os indivíduos.Consumir é mais que possuir, é se identificar com o bem e/ou ser identificado por ele; é representar emoções, sensações e experiências que vivemos.

O consumo é um sistema de significação e as necessidades dessa atividade, em sua maioria, são as necessidades simbólicas.

 

A atuação do antropólogo nas empresas ou por uma Antropologia aplicada

O antropólogo corporativo é aquele que atua além dos muros da universidade.

A escassez de profissionais de Antropologia (do Consumo) no mercado pelo seu caráter ideológico das Ciências Sociais fez com que muitos profissionais de outras áreas se interessassem pelo tema. Multiplicam-se os cursos rápidos de etnografia, de antropologia aplicada ou do consumo como se o “fazer antropológico” pudesse ser construído através
de um atalho nada confiável.

Dessa forma, não basta colher uma infinidade de dados se não houver entendimento claro
e contextualização teórica do que os dados estão tratando; a pesquisa é vazia e obscura.

Assim, o antropólogo atua dentro desse campo com maior destreza, pois sabe que o dado puro e simples não justifica nem apreende por si só. Seu background teórico é necessário para utilizar de forma adequada os métodos de pesquisa e avaliar os resultados posteriores.

A Antropologia aplicada ao mercado é possível se realizada por um profissional experiente. Para obter um melhor resultado, a pesquisa etnográfica deve ser realizada por um especialista reconhecido, com prazo adequado assim como profundidade teórica. A de imersão no campo (empiria) comprovadamente é uma forma efetiva de construir conhecimento sobre produtos, serviços, usabilidade, valores, pessoas, marcas, práticas de consumo entre outros.


O approach interdisciplinar é possível se houver uma base teórico-metodológica robusta. O futuro está nas conexões de diferentes saberes
e expertises, é hora de assumir a diversidade dentro das empresas para melhor entendimento dos consumidores.