IMPRENSA

INSPIRAÇÃO HACKER 07

20th novembro , 2017
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PROJETO

Eu não diria que liderei um projeto hacker, mas que fiz parte por um período e enxerguei um fenômeno incrível num lugar lotado de estigmas: uma favela. Durante o trabalho de campo de doutorado na favela Barreira do Vasco no RJ aluguei 3 casas em 3 pontos diferentes de uma favela, fui até lá estudar os famosos “gatos” de energia. Pouco tempo depois já estava investigando os “gatos” de energia, de internet, de TV por assinatura, água. Depois de integrar a favela e os diferentes grupos que ali vivem, estreitei laços com uma galera muito atuante na Associação de Moradores. Pessoas que tinham um comprometimento participativo muito grande, passei a fazer parte emprestando meus serviços como “fotógrafa”. Na verdade, eu havia comprado uma câmera semi-profissional para registrar tudo que vi e vivenciava. Depois de 3 anos vivendo intensamente o dia a dia daquele lugar, fui cooptada por um grupo que se autodenomina de “nossos”. Ao fazer parte entendi que era uma rede social de assistência mútua, um grupo pequeno que partilhava os mesmos valores e praticava uma economia íntima, havia trocas, compartilhamento, solidariedade, e os “gatos” todos que estuda eram uma das expressões desta lógica de consumo. Estava ali, na minha frente, um consumo colaborativo na sua essência.

 

APRENDIZADO

Ao vivenciarmos experiências sem travas, ou olhar viciados podemos enxergar muito mais que os signos nos mostram. No meu caso, ao levantar todos os estudos das ciências sociais (sociologia, antropologia, história etc) percebi que a maioria tratava de questões ligadas a hipossuficiência, carência, violência entre outros assuntos que expressavam dificuldades e sobrevivência. Ao me dar conta disso, percebi que eu não tinha vivenciado nada negativo, muito pelo contrário, vi e compartilhei, de um movimento que hoje se encontra na vanguarda do pensamento econômico mundial. A favela não pode ser explicada apenas por determinados fatores, ela é muito mais. Era preciso levantar essa bandeira e apenas uma visão atenta e uma experiência profunda poderia me dar substratos para entender a dinâmica. Havia violência? Sim. Havia problemas de infraestrutura? Sim. Havia desigualdade social? Sim. Mas também havia compartilhamento, solidariedade, uma força e reciprocidade que nunca havia percebido. Ao invés de buscar soluções em outros países, acredito que muitos bons exemplos podem estar debaixo do nosso nariz, basta saber olhar, valorizar, aprender e reproduzir.

 

QUEM É?

Sou doutora (PhD) em Antropologia do Consumo (UFF-RJ) e acredito ter como grande diferencial a capacidade de fazer a ponte entre o conhecimento acadêmico e a aplicação no mercado. Tenho uma enorme paixão pelo meu ofício, e acredito que a empatia e habilidade de investigar tendências, conceitos, oportunidades e inovações no campo do consumo sejam um diferencial atualmente. Meu trabalho consiste em chegar o mais fundo possível no assunto investigado, human to human, para isso, somo as duas ferramentas mais importantes para um pesquisador: conhecimento acadêmico teórico e pesquisa de campo (etnografia, observação participante e olhar antropológico). Atualmente trabalho como consultora independente, pesquisadora, escritora, palestrante e também realizo coaching e mentoria individuais ou em grupo e também em empresas que desejam aumentar repertório analítico e conhecimento sobre temas relacionados ao consumo contemporâneo e comportamentos socioculturais (www.hilaineyaccoub.com.br). Desenvolvi uma consultoria que eu chamo de tenha uma antropóloga por um dia”, onde através de um trabalho continuado realizo inputs teóricos focalizados em achados, insights, produção de conteúdo para agências de publicidade, marketing e business intelligence.

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